O problema foram mesmo as viagens. Foram, na realidade, peripécias a mais para apenas dois dias. Para começar devo advertir que só viagens de avião foram...cinco (?!?!). E para ajudar à festa, esta era a imagem que se via da janela do meu lugar...que maravilha a paisagem: o motor do avião !
A chegada a Madrid, apesar do atraso, decorreu sem grandes complicações...à margem da paisagem. Feito o transbordo, a comitiva portuguesa partiu rumo a Oviedo, onde deveria ter aterrado perto das 17. A verdade é que cerca de 40 minutos depois da descolagem de Madrid, ou seja, a pouco mais de 10 minutos de aterrar em Oviedo, o comandante do voo dá conta de que afinal a aterragem não era possível devido a questões climatéricas. «Ventos cruzados», disse o jovenzinho. Cá para mim estava com «miáufas», mas enfim...é que isto, para dizer verdade, não é para meninos ! Solução ? Regressar a Madrid ! Nada mais nada menos que fazer o caminho de regresso ao ponto intermédio. Não é que o Aeroporto de Barajas seja feio de todo, mas chega a um ponto em que, como hei-de explicar...é capaz de fartar, não acham ? Assim tipo...duas vezes num dia é...como é que hei-de dizer sem ferir as susceptibilidades do individuo consequentemente em questão...dramático !!!
(Re)Chegados a Madrid, outra supresa. Os responsáveis da Ibéria, alertados que estavam para a situação, dignaram-se a não nos esperar para dar qualquer tipo de informações. Presumo que eles nunca ouviram falar nas «Mães de Bragança» como o paradigma da capacidade de mobilização dos tugas...pelo menos para haver molhada! Ok, isto já sou eu a exagerar...não foi necessária porrada, mas os «iberios» continuavam a não estar presentes. O episódio serviu pelo menos para reduzir a comitiva de jornalistas provenientes de Madrid a cerca de...ora...1x1 igual a 1...noves fora nada...a uns quantos a menos portanto !!
Depois de percorrida outra boa parte do aeroporto, e chegados aos balcões da companhia espanhola, constatámos, através da inigualável missão da «nossa» Marta, a responsável pela agência que nos levou a Oviedo e que foi a todos os níveis enexcedível, que havia um outro voo, perto das 21 mas que não havia muitos lugares livres. Muitos ou não muitos a dúvida impunha-se: quantos são afinal os lugares? A resposta foi ao nível da transportadora: «não sei» !!! Se o cenário não era favorável, a funcionária da empresa ainda o tornava mais mirabolante. A sua capacidade de resposta, a velocidade com que lidou com o check-in da comitiva portuguesa levou a que num instante os lugares disponíveis se tornassem inexistentes. Havia uma relação de um «check-in» da moçoila para 3 das colegas...interessante não ? Mas nesta altura já outra dúvida me assolava a mente. Se mal pergunte, onde anda a minha bagagem ? As «maletas» que despachei em Lisboa ? A resposta parecia óbvia: «não sei».
O susto é grande. Não pela roupa que poderia eventualmente estar «sequestrada»...se bem que seria natural o assédio à minha roupa interior, ás minhas meias e produtos de higiene íntima. Mas sobretudo porque pela primeira vez, que naturalmente foi também a última e vice-versa, guardei lá uma pasta de importantes papéis. Tudo a ajudar ! Bom, perante a insistência, a "prestável" jovenzinha lá vociferou que as "maletas" também iriam desembarcar nas Astúrias. A partir destas palavras mágicas, não havia tempo para muito mais...afinal tudo indicava que as portas de embarque já estariam abertas e ainda havia cerca de meio aeroporto para percorrer. Não aguentava mais as pernas !! Não fosse a minha boa forma física comprovada por só ter alguns 40 quilos acima do peso ideal, e seria dramático...mas Batista quando corre, ui ui...não brinca em serviço. Escusado será dizer que, para variar, chegados à porta de embarque esta estava ainda fechada. Da comitiva de 10 portugueses, entre jornalistas e operadores de imagem, acabámos por embarcar 7...as três restantes ficaram com uma das representantes da agência, com o compromisso de estadia em Madrid em hotel e voo no dia seguinte, esta terça-feira, pela manhã até às Asturias.
(pausa...para se perceber, é uma pausa um tanto prolongada...já me doem os dedos de escrever)
Bom, mas se acham que a aventura termina por aqui, convém desde já adiantar que ainda faltam uns quantos episódios. Embarcando no voo das 21, o ânimo estava mais desanuviado, se bem que boa disposição foi coisa que nunca faltou...apesar de tudo. Mas pairava ainda no ar o episódio da tarde e a ameaça que poderia não ser desta que o «ibérico avião que terá combatido seguramente ao lado dos aliados na 2ª Grande Guerra» conseguia aterrar. Próximos de Oviedo, e já na fase da preparação da fase de aterragem, minimizada a iluminação no avião tudo parecia encaminhar-se para a tão aguardada aterragem. Não fosse os bons 10 minutos em que andámos aos círculos no ar, com tentativas frustradas de perda de altitude com o avião a sacudir-se literalmente de um lado para o outro por acção dos fortes ventos, e tudo seria perfeito. Não pude, no entanto, deixar de reparar que numa altura em que havia já alguma ansiedade a bordo, nada de latente mas facilmente perceptivel, acenderam-se as luzes de saída de emergência...que oportuno, não ?
Chegados ao aeroporto de Oviedo, e já de alguma forma contra a minha própria esperança, acabei por recolher a minha bagagem. Valeu-me de emenda. Já dois dos colegas portugueses que também tinham, de boa fé, "despachado" a bagagem acabaram por não ter melhor sorte. As suas malas ainda não haviam aparecido esta manhã. Mas como explicar este episódio ? Não sei. Mas verdade seja dita que se o primeiro voo tem aterrado na hora prevista, seguramente que nessa altura não iria conseguir recolher a minha mala. A minha bagagem chegou no voo das 22...tal como eu !! (antes de começarem com piadas tolas sobre alguma acção minha, não venham com tretas porque não fui eu que sabotei a aterragem do primeiro avião...mas por acaso estava à espera que as bagagens andassem sempre connosco...pfff...tolo). Ahh, além das malas, um dos colegas perdeu também um livro que trazia consigo...«O Incesto». Com isto tudo, era quase meia noite quando chegámos ao hotel...mais morto que vivos mas chegámos.

Fantástica a vista do quarto do hotel. Pela manhã, bem cedo, já a cidade asturiana entrava no seu ritmo. E nós espectantes em relação à apresentação da obra de «D. Santi Calatrava». Genial, diga-se.
Com o amanhecer, começavam a surgir as boas notícias para a comitiva. Pela manhã, logo ao pequeno-almoço, ficámos a saber que...afinal...já...tinham...conseguido...recuperar...tchan, tchan, tchan, tchan...o livro perdido. Os espanhóis recuperaram «O Incesto». A frase não é muito bonita, pode originar, eventualmente, algum conflito diplomático, mas a verdade é essa mesma. Não havia ainda grandes sinais da bagagem, mas o livro estava são e salvo. Tal como a representante espanhola da agência que havia ficado a acompanhar as três jornalistas que não conseguiram voo durante a noite...e que pelos vistos também não conseguiram durante a manhã, apesar do voo ter saido e de a comitiva que havia ficado em Madrid ter chegado a Oviedo pela manhã.
É claro que depois de tanta coisa, o voo onde os portugueses estiveram tinha de ser noticia imprensa local como relata esta imagem do «El Comercio», um diário asturiano.
Como é fácil depreender, não estou a escrever do além...estou mesmo em Lisboa...são e salvo depois da fabulosa apresentação do futuro Centro de Congressos de Oviedo
Só mais uma nota...uma última só para terminar. Não posso deixar de salientar que uma das perguntas colocadas a Santiago Calatrava acerca da obra e dos seus efeitos prendia-se com a sua opinião acerca de umas pequenas fendas que entretanto surgiram numa paróquia muito próxima do local onde está a ser construida esta gigantesca obra. A resposta foi à altura: «Pode descansar o pároco que a igrejinha não vai desabar».
Valeu ou não a pena esperar tanto tempo por uma resposta destas ?
Já agora, e porque não tenho cabeça para muito mais, ressalvo que hoje, em alta no «winamp» está o «I believe I can Fly»



1 comentário:
não sei como é que é mas andas sempre a passear...
deve ser por isso que não tens tido tempo para me visitar no meu blog!
:0D
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