sábado, 6 de janeiro de 2007

É a vida

É vão o amor, o ódio, ou o desdém;
Inútil o desejo e o sentimento...
Lançar um grande amor aos pés de alguém
O mesmo é que lançar flores ao vento!

Todos somos no mundo "Pedro Sem",
Uma alegria é feita dum tormento,
Um riso é sempre o eco dum lamento,
Sabe-se lá um beijo de onde vem!

A mais nobre ilusão morre... desfaz-se...
Uma saudade morta em nós renasce
Que no mesmo momento é já perdida...

Amar-te a vida inteira eu não podia.
A gente esquece sempre o bem de um dia.
Que queres, meu Amor, se é isto a vida!


Não resisti...a Florbela Espanca pediu licença, e eu deixei-a entrar. Com a mesma subtileza com que contorcia cada uma das letras que escrevia até à perfeição final.

2 comentários:

Patricia disse...

eu diria q o grande erro de nós, comuns mortais, reside precisamente... em esquecer o bem de um dia! se não fosse assim, dávamos muito mais valor aquilo q passa, e q pode nunca voltar atras!

Santiagando disse...

Estas escolhas poéticas e prosaicas deixam uma pessoa... sei lá... assim... sem palavras...

Estou a adorar cada leitura.