Confesso que chegando a esta altura do ano, me assola uma nostalgia estranha. Não sei ao certo se a expressão mais apropriada, mas à falta de melhor, acho mesmo que o Natal me deprime. A ausência do pinheiro, das cores, das fitas, daquele cheiro a clima de Natal que sabe tão bem e que nos aquece o espírito. Não porque seja impossível, mas simplesmente porque me falta essa vontade. Entendo que esse tipo de preparativos são a manifestação última de estados de alma e que tudo tem a sua razão de ser. Essa, eventualmente, será a causa deste meu desanimo. Falta a verdadeira razão para fazer da noite de Natal, a noite por que tanto esperamos. Pudesse eu pedir uma prenda, daquelas que se encomendam apenas por decreto especial, pedia encarecidamente para que este dia desaparecesse por muito anos do meu calendário. Os suficientes para acalmar o espírito inquieto.
Para me ter em paz comigo mesmo, e para que esteja em paz suficiente para recordar todos quantos comigo caminharam, todos quantos amei, e todos aqueles a quem não consegui dizer isso mesmo. Disso me recordo todos os dias e cada um ! Em todos eles surgem os inevitáveis "porquês" a quem a racionalidade nunca deu resposta, quanto mais... Em todos eles estendo a memória até aos abraços calorosos quando chegava a casa depois da semana de trabalho, ao sorriso rasgado que insistia em me acolher, às lembranças dos olhos curvados sobre as folhas rabiscadas que teimou em dar forma quando as forças já iam faltando. Em todos eles chego à conclusão que tudo perdi naquela madrugada de dia 25...e em todos eles me vejo a lembrar-te que me fazes falta !
3 comentários:
Existe um livro que acho que devias ler... que retrata muito esta angustia que aqui descreves...e que se intitula exactamente: Fazes-me falta. Inês Pedrosa
P.S- Nunca vou deixar de vir aqui...
Ainda que não consigas compreender, os cheiros, os brilhos e rituais do Natal não deixaram de ter significado para ti, estão apenas abafados por um sentimento muito forte: a saudade...
Um dia, a ausência de "quem te faz falta" transformar-se-á num pó mágico que abrilhantará o teu Natal que será, a partir de então, o mais belo e sentido de todos os natais. Nesse momento perceberás que tens o previlégio de ter o mais belo dos anjos a iluminar não só o Natal mas todos os momentos da tua vida...
Um abracinho bom p ti.
Sinto cada palavra que aqui deixas com uma intensidade tremenda. Sei que não temos estado tanto tempo juntos como desejaríamos, mas, ainda assim, como bons amigos sei que estás perto. E tu não és só um bom amigo, és especial.
Vivi este momento de leitura com cuidado e atenção, letra a letra, palavra a palavra, e absorvi tudo o que querias exprimir.
Sei que o Natal para ti tem agora um peso distinto, diferente. Perdeste um anjo, mas olha em tua volta e vais perceber que tens muitas razões para voltar a viver o Natal de uma forma intensamente positiva... Estás rodeado de pessoas boas, familiares, amigos e, independentemente do lugar onde esteja, tens alguém sempre contigo, no teu coração!
Vive padrinho! És grande!!!
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