sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Se o absurdo pagar imposto...

Bem sei que não vivemos em nenhum Mundo Perfeito, mas isto chega a ser absurdo. Nem mesmo factores culturais, ou o que quer que seja, podem justificar uma medida destas.

Em traços muito gerais: uma mulher, "simplesmente", foi violada por 14 gajos, o que alegadamente indicia uma infracção às leis de segregação por sexo na Arábia Saudita. Quando tentou processar este gangue, foi condenada a receber 90 chibatadas. Como recorreu da sentença, viu a pena ser-lhe agravada. E o advogado? Foi-lhe negada a defesa da rapariga e ainda ficou sem licença para exercer. Porquê ? Porque coiso...

Que dizer perante isto ?

Escrevia o Diário Digital esta sexta-feira:

Um tribunal saudita condenou hoje a 200 chibatadas e seis meses de prisão uma mulher que foi vítima de violação em grupo, por infringir as leis de segregação por sexo do país.

A mulher, 19 anos, membro da comunidade xiita, foi violada 14 vezes durante o ataque de um gangue na região leste do país.

Inicialmente foi condenada a 90 chibatadas por violar as leis sauditas, que proíbem qualquer forma de associação entre homens e mulheres não relacionados entre si. A mulher tinha estado no carro de um homem desconhecido durante o ataque.

Quando a vítima apelou à Justiça, os juízes encarregados do caso afirmaram que ela teria tentado usar os meios de comunicação social para influenciar a decisão do tribunal, decidindo por isso duplicar a pena e condenar a vítima à prisão.

Os juízes também duplicaram a pena dos violadores, inicialmente condenados a cinco anos.

Segundo os jornais sauditas, a violação ocorreu há um ano e meio numa província do leste do país.

Sete homens da maioria sunita do país foram considerados culpados pela violação e condenados a penas de um a cinco anos. As penas foram duplicadas depois do apelo, mas mesmo assim foram consideradas brandas, uma vez que o país prevê pena de morte para violadores.

Os jornais sauditas citaram a declaração de um responsável que afirmou que os juízes decidiram punir a vítima porque esta teria tentado influenciar o poder judiciário através dos media.

O advogado da vítima foi suspenso do caso, teve a respectiva licença confiscada e enfrenta um processo disciplinar.

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