quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

Porque será que...

Pela primeira vez desde que me lembro de ser gente (o que em boa verdade até nem é há tanto tempo quanto isso...), não me deixei levar pelo culto que envolvem os últimos momentos do ano. Porquê ? Acredito piamente que terá sido a mais prosaica das razões: não quis. Haveria seguramente razões mais fortes para justificar esta minha opção, mas acho que esta é mais que suficiente.

Sei lá, não estava para aí virado. Ou então cheguei por mim mesmo à conclusão que somos capazes de exagerar um pouco nestas ocasiões, sobretudo na passagem de ano. O que é que nos leva a pensar que é uma obrigatoriedade beber como se não houvesse amanhã, apenas porque voltamos novamente ao mês de Janeiro ? Qual será a razão para acreditar que subir para cima de uma cadeira faz com que tenhamos dinheiro a rodos, felicidade a dar com pau, uma saúde que por ser tanta quase que dá para alugar aos mais necessitados ? Sem ter encontrado propriamente o ovo de Colombo, dei por mim a pensar nestas pequenas coisas e a constatar que me transformei (momentaneamente ?) num terrivel céptico.

Carlos Ruiz Zafón, n'A Sombra do Vento, disse um dia que «a ausência de minha mãe era para mim ainda uma miragem, um silêncio gritante que até então não tinha aprendido a emudecer com palavras». Se calhar também eu estou preso a este paradoxo sem ter ainda percebido isso mesmo. Não gostava de ficar aprisionado e refém deste cepticismo, mas quando dei por mim estava tentado a estrangular os que iam aparecendo com os mesmos votos de sempre. Não os mais chegados, esses acredito que o que quer que tenham dito tenha sido sincero. Mas ouvi tanto disparate junto que mesmo sem sequer lhes ter tomado o gosto fiquei embuchado com tanta uva passa.

Tenho ainda pelo menos mais 12 meses para recuperar, até que venham as mesmas mensagens. Devo ter recebido algunas 50 repetidas...quem quiser para troca ...Pode ser que no próximo ano já não se lembrem e assim já tenho um portfolio repleto. As mensagens das épocas festivas nomeu telemóvel parecem uma farmácia: há de tudo para todos os gostos.

Ps. Perdoem-me aqueles que julgavam que ia dissertar sobre a importância da cor da cueca nesta hora.

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